RAMPA PORTO

| 06.12.19 – 18.01.20

Desenterrando Memórias

A Primeira Exposição Colonial Portuguesa ocorreu há 85 anos nos Jardins do Palácio de Cristal, contudo, as forças económicas, culturais e políticas atuais ainda sustentam, cimentam e replicam algumas ideologias que foram fundamentais ao regime autoritário associado à Exposição Colonial.

Fragmentos do passado têm a capacidade de reiterar e incorporar memórias coletivas, constituindo uma cultura visual que marca a contemporaneidade. As relíquias coloniais (por exemplo, monumentos públicos, nomes de ruas, selos postais, souvenirs, medalhões, murais, coleções de museus e arquivos nacionais) são testemunhos controversos que narram perspectivas imperialistas e obscurecem a multiplicidade de relações de poder, encontros culturais e experiências pessoais.

O Coletivo InterStruct examina esses mesmos objetos e utiliza-os como catalisadores para acrescentar camadas de complexidade às narrativas e desvelar histórias, buscando restaurar o poder de indivíduos colonizados no passado e marginalizados no presente.

Objetos e subjetividades pós-coloniais são examinadas e o olhar incorporado nesses objetos é devolvido por meio de colaboração coletiva e interdisciplinar. A práxis artística é utilizada como uma plataforma reflexiva para nutrir realidades futuras. Esta exposição analisa criticamente os legados coloniais e enquadra o imaginário atual, composto por memórias, ruínas e lembranças no contexto do Porto.

SOBRE INTERSTRUCT
O InterStruct visa fomentar um diálogo em torno do interculturalismo, proporcionando uma plataforma discursiva onde pessoas de diferentes origens culturais podem colaborar, propor intervenções e encenar projetos artísticos de importância social. Este fórum valoriza a inclusão, e incentiva a empatia e a autorreflexão como base para interromper ideologias e estereótipos adversos. O nome InterStruct é composto por dois elementos: o prefixo inter significa “entre”, e o radical struere, em Latin, significa “construir” ou “montar”. Mesclar esses termos ressalta a importância dos processos construtivo e desconstrutivo durante a criação.

Imprensa
https://www.publico.pt/2019/12/21/culturaipsilon/noticia/desmascarar-lado-colonial-porto-passado-nao-passou-1898132?fbclid=IwAR2lj81p9Cxw_B4ksaoOaeys473tqL_G50-IMR9h1dA4BhIbTuirkBAdCx0

https://www.buala.org/en/da-fala/desenterrando-memorias?fbclid=IwAR0y05DN5N5s0UX-UCZGKsEGPSFvjXdr2DzTUKdv0X5tK6N51BD1TSXB95c

PROGRAMA PARALELO

CONFERÊNCIA-PERFORMANCE ‘de submisso a político – o lugar do corpo negro na cultura visual’
dia 22 de dezembro às 16h

Sinopse

  • “Unearthing Memories” (Desenterrando Memórias) com curadoria colaborativa do InterStruct Collective, inaugura no proximo dia 6 de dezembro (sexta-feira) pelas 21h30.

Ficha Técnica

  • CURADORIA COLABORATIVA : InterStruct Collective
  • Produção: Rampa – Associação Cultural
  • artistas:
    Desirée Desmarattes (Alemanha), Isabel Stein (Brasil), Melissa Rodrigues (Cabo Verde), Miguel F (Portugal), Odair Monteiro (Cabo Verde), Vanessa Fernandes (Guiné-Bissau) e Vijay Patel (Reino Unido).

© fotografias – Nuno Coelho